sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

OS 22 FERAS INESQUECÍVEIS DO SANTA CRUZ FUTEBOL CLUBE

 

A imensa torcida coral, feliz no Colosso do Arruda em 1975. Foto: Revista Placar. 

O Santa Cruz Futebol Clube, foi fundado em 3 de fevereiro de 1914. É um clube do povo, tradicional clube de Pernambuco e do Nordeste brasileiro. Viveu seus melhores momentos no futebol no final da década de 1960 e toda década de 1970. O Santa Cruz conquistou o Torneio Norte-Nordeste (1967), que contou com apenas os melhores clubes de Pernambuco, Ceará e do Pará. Neste período, Foi sete vezes campeão pernambucano (1969, 70,71, 72, 73,76,78 e 79). O clube soma 29 campeonatos estaduais. Fez excelentes campanhas nos Brasileirão- Série A, em 1975 (4º), 1977 (10º) e 1978 (5º).

A partir do ano 2001, o Santa Cruz entrou em declínio, mesmo assim, conquistou Campeonato Brasileiro- Série C (2013) e a Copa do Nordeste de 2016, em 2024, viveu o pior ano de sua história, ficando fora de todas as divisões do Brasileirão. Em 2025, disputou a quarta divisão do Brasileirão, conquistando o acesso ao Brasileirão- Série C do ano de 2026, buscando reviver seus tempos gloriosos para alegrar a torcida mais apaixonada do Brasil.

Em seu passado de glórias, grandes jogadores vestiram a camisa coral e deixaram seus nomes marcados para sempre na história do futebol pernambucano. O Blog Vozes da Zona Norte, fez uma minuciosa pesquisa em busca dos 22 feras inesquecíveis de todos os tempos da cobra coral, do passado e do presente, desde Pitota (Alcindo Wanderley) até o Grafite. Foram tantos craques que se tornaram inesquecíveis nestes mais de cem anos de história do clube das multidões. Foram escolhidos: dois goleiros, dois laterais-direitos, quatro zagueiros, dois laterais-esquerdos, seis meio-campistas e seis atacantes, formando assim, dois esquadrões inesquecíveis de atletas corais melhores de todos os tempos. 

Alguns jogadores se consagraram como únicos, unânimes. Outros quase unânimes. Alguns dividiram às honras com outros jogadores, tanto do presente quanto do passado. Foi preciso analisar nos mínimos detalhes a importância de cada conquista e o que representou cada jogador com aquele importante triunfo. Alguns atletas dedicaram parte de sua vida esportiva ao clube, outros tiveram uma passagem curta, mas memorável.

Foram analisados os principais jogadores que vestiram a gloriosa camisa da Cobra Coral desde a década de 1930, quando o Santa Cruz obteve as primeiras conquistas, sem esquecer a memória do período amador do futebol pernambucano onde se destacaram os grandes atletas tricolores, Alcindo Wanderley, o Pitota, considerado o primeiro craque do nosso futebol (1915 a 1921) e Teófilo Batista de Carvalho, o Lacraia, reconhecido recentemente pela diretoria do clube e incluso em seu estatuto, como o atleta fundador do clube coral e sendo o primeiro atleta negro a vestir a camisa do Santa Cruz no ano de 1914.

Os atletas analisados e escolhidos entre os melhores foram:

Década de 1930 - Sherlock, Tará, Estevão, Lauro, Sebastião da Virada, Limoeiro, Walfrido, goleiro Diógenes e Sidinho;

Década de 1940 - Siduca, Guaberinha e Elói;

Década de 1950 - Goleiro Aníbal, Zequinha, Aldemar, Jorge de Castro, Rudimar, Marinho, Mituca, Jorginho, Lanzoninho, Faustino, Sidney, Zé de Melo, Mainha e Múcio;

Década de 1960 - Goleiro Pedrinho, Birunga, Rivaldo, Zito, Uriel, Mirobaldo, Cuíca e Nagel;

Década de 1970 - Goleiro Gilberto, goleiro Detinho, goleiro Joel Mendes, Gena, Rivaldo, Cabral, Zito, Luciano Veloso, Cuíca, Fernando Santana, Givanildo Oliveira, Ramón, Sapatão, Erb, Paulo Ricardo, Botinha, Levir Culpi, Luiz Fumanchu, Mazinho, Carlos Alberto Barbosa, Edson, Pio, Pedrinho, Betinho, Lula Pereira, Nunes, Paranhos e Joãozinho;

Década de 1980 - Goleiro Birigui, goleiro Luiz Neto, goleiro Wendell, Ricardo Rocha, Zé do Carmo, Henágio, Gabriel, Marlon, Lula, Lotti, zagueiro Ivan e Ataíde;

Década de 1990 - Goleiro Marcelo Martelotti, goleiro Nilson, Mazinho Loyola, Sérgio China, Quinho, Washington, Da Silva e Amarildo;

Década de 2000 - Goleiro Cleber, Carlinhos Bala e Marco Antônio;

Década de 2010 - Goleiro Tiago Cardoso, Renatinho, Gilberto, Dênis Marques, João Paulo e Grafite;

Década de 2020 - Não há indicação.

Depois de analisado a lista dos melhores jogadores da história do Santa Cruz, o blog Vozes da Zona Norte escolheu os 22 melhores jogadores de todos os tempos. Foram eles:

Goleiros: Tiago Cardoso e Detinho; 

Laterais- direitos: Carlos Alberto Barbosa e Gena;

Zagueiros: Aldemar, Ricardo Rocha, Paranhos e Levir Culpi;

Laterais-esquerdos: Pedrinho e Renatinho;

Meios- campistas: Givanildo Oliveira, Zé do Carmo, Luciano Veloso, Henágio, Betinho e Zequinha;

Atacantes: Tará, Nunes, Ramón, Luiz Fumanchu, Grafite e Fernando Santana.

As grandes dúvidas e dificuldades encontradas pela equipe do blog Vozes da Zona Norte para definir a lista dos 22 melhores jogadores de todos os tempos do Santa Cruz, foram em relação aos goleiros Detinho e Birigui, os laterais-esquerdos Cabral e Renatinho, os meios-campistas Zequinha e Mazinho, no entanto, em relação aos atacantes, apenas seis poderiam ser escolhidos, acreditamos que a escolha foi justa, mas sem sombra de dúvidas, caso fosse possível, caberiam nesta lista os atacantes Siduca, da década de 1940, Marlon, Joãozinho do time de 1978/79 e Dênis Marques.

Antes de nossa escolha, veja algumas listas que foram feitas por importantes veículos da imprensa esportiva brasileira, além do próprio Santa Cruz Futebol Clube.

A Revista Placar Especial de junho de 2000, elegeu os dez melhores jogadores de todos os tempos da história do clube. Foram eles: Tará, Givanildo Oliveira, Nunes, Ramon, Zé do Carmo, Aldemar, Zequinha, Rinaldo, Pio e Henágio.

A Coral Net em 2011, escolheu os onze melhores: O goleiro Detinho, Pedrinho, Aldemar, Ricardo Rocha, Carlos Alberto Barbosa, Zé do Carmo, Givanildo Oliveira, Mazinho, Ramon, Nunes e Luciano Veloso.

A Superesportes/Diário de Pernambuco em 2014, comemorando o aniversário de 100 anos do clube, elegeu os 24 melhores jogadores de todos os tempos, eleitos por ilustres tricolores de várias gerações. Foram eles: o goleiro Tiago Cardoso, Carlos Alberto Barbosa, Aldemar, Ricardo Rocha, Pedrinho, Givanildo Oliveira, Mazinho, Henágio, Luciano Veloso, Nunes, Ramon. Os outros foram: o goleiro Birigui, Gena, Edinho, Marco Antônio, Paranhos, Alfredo Santos, Zé do Carmo, Zequinha, Lanzoninho, Betinho, Marlon, Tará e Luiz Fumanchu. Técnico: Evaristo de Macedo. Outros jogadores importantes também foram lembrados: Os goleiros: Anibal, Detinho e Luiz Neto; os zagueiros: Levir Culpi, Everton Sena, Diogo, Múcio, Nagel, Eraldo, Birunga, Sebastião da Virada, Paulo Ricardo, Palito, Sidney e Sidinho; os laterais: Egídio e Just; os meias Rivaldo e Sérgio China; e os atacantes Siduca, Mainha, Terto, Dênis Marques, Fernando Santana, Washington, Mituca, Rudimar, Faustino, Jorginho e Gabriel. 

O canal Fox Sports/ESPN BRASIL em 2020, escolheu os melhores de todos os tempos do clube: o goleiro Tiago Cardoso, Carlos Alberto Barbosa, Levir Culpi, Ricardo Rocha, Pedrinho, Givanildo Oliveira, Luciano Veloso, Ramon, Tará, Nunes e Luiz Fumanchu. Técnico: Evaristo de Macedo.

O goleiro Tiago Cardoso, chegou ao Santa Cruz em momento de crise. Em seis anos de clube, conquistou sete títulos e se consagrou o melhor  da história do Santa Cruz.

Tiago Cardoso dos Santos, goleiro, nasceu em 8 de maio de 1984, em Picos, Piauí. Atleta pertencente ao Athletico Paranaense, mas que estava emprestado ao Atlético Monte Azul-SP, quando no início de 2011, veio para Santa Cruz e se transformou em ídolo da torcida coral por fazer defesas inacreditáveis, consideradas milagrosas. Num momento de recuperação da equipe que vivia um momento de crise. Tiago Cardoso, superou as expectativas, já que o clube do Arruda estava nas divisões inferiores do Campeonato Brasileiro e o Santa Cruz era considerado a terceira força do futebol pernambucano, pois, ganhar três títulos em cima do Sport Recife, onde o maior rival tinha uma equipe bem superior ao elenco coral, mas que dentro de campo a equipe superou o adversário com muita raça e valentia e com ajuda do excepcional goleiro Tiago Cardoso, considerado pela massa coral o melhor goleiro de todos os tempos da história do clube. Foram cinco Campeonatos Pernambucano (2011, 2012, 2013 (Tricampeão), 2015 e 2016 (Bicampeão).   Campeão Brasileiro da Série C (2013) e Campeão da Copa do Nordeste (2016), sendo o melhor goleiro da competição. Também foi o melhor goleiro dos Campeonatos Pernambucano de 2011 e craque do campeonato; 2013 e 2016. Em dezembro de 2016, foi para o Clube Náutico Capibaribe, deixando o clube coral após 6 anos.

Carlos Alberto Barbosa foi o melhor lateral-direito da história do Santa Cruz. O prata da casa do Arruda, participou da fase de ouro da Cobra Coral na década de 1970, tendo até vestido a camisa da canarinha de novos. 

Carlos Alberto Barbosa, lateral-direito, nasceu em 15 de fevereiro de 1954, no Recife. Começou jogando nas categorias de base do Santa Cruz. Em 1973, o técnico Paulo Emílio o promoveu para a equipe profissional. Era um jogador veloz, de grande visão de jogo e preciso nos cruzamentos para área, além de ocupar muito bem os espaços no setor defensivo. Considerado o melhor lateral-direito de todos os tempos do clube coral, foi campeão do Campeonato Pernambucano em 1976, 1978 e 1979, neste último ano, foi convocado para a Seleção Brasileira de Novos. Carlos Alberto, participou das melhores campanhas do Santa Cruz no Campeonato Brasileiro da Série A: 1975 (4º), 1977 (10º) e em 1978 (5º). Após jogar 299 jogos com a camisa coral, em 1980, foi negociado com o Internacional-RS. Faleceu no dia 7 de março de 1982, de parada cardiorrespiratória, durante um jogo no Estádio da Ilha do Retiro, onde defendia o Sport Recife contra o XV de Jaú-SP, aos 28 anos.

O zagueiro Aldemar, veio da base do Vasco da Gama para se consagrar no Santa Cruz, fez parte de um dos maiores  times que o Santa Cruz já formou, o timaço de 1957, o super campeão pernambucano. Aldemar foi para o Palmeiras, considerado o melhor marcador de Pelé, chegou fácil a Seleção Brasileira.

Aldemar – Aldemar dos Santos, zagueiro, nasceu em 7 de novembro de 1931, no Rio de Janeiro, veio para o Santa Cruz como juniores do Vasco da Gama em maio de 1954. No tricolor do Arruda, Aldemar tornou-se um zagueiro implacável e de muita técnica, considerado por muitos, o melhor zagueiro da história do clube, junto com Ricardo Rocha. Foi sempre convocado para a Seleção Pernambucana de Futebol que disputava o campeonato brasileiro de seleções. Foi campeão do primeiro Supercampeonato Pernambucano de 1957, com um timaço que tinha Zequinha, Lanzoninho, Rudimar e Jorginho. Aldemar era o capitão da equipe e marcou um gol na final contra o Sport Recife. No começo de 1959, foi contratado pelo Palmeiras e em 1960 chegou à Seleção Brasileira, depois fez parte da lista para a Copa do Mundo de 1962, mas foi cortado. Em 1966, encerrou a carreira de jogador de futebol. Veio treinar o Santa Cruz e teve uma crise de amnésia e se perdeu no Recife. Após ser encontrado por amigos, foi levado de volta para o Rio de Janeiro. Com o agravamento da doença, Aldemar não reconhecia ninguém, perdendo o convívio social. Faleceu em 21 de janeiro de 1977 no Rio de Janeiro, aos 45 anos, sem que os clubes onde havia jogado, nem a imprensa tivesse conhecimento. Ele faleceu em total esquecimento, sem que nenhum canal de imprensa tivesse noticiado o fato.

O garoto do bairro de San Martin, no Recife, Ricardo Rocha, chegou ao Santa Cruz em 1982 para se consagrar. Foi campeão pernambucano em 1983, sendo o melhor zagueiro do futebol pernambucano de 1983 e 1984, depois foi para o Guarani de Campinas e jogou em grandes clubes do futebol brasileiro e da Europa, como o Real Madri. Ganhou a Copa do Mundo de 1994 pela Seleção Brasileira, nos EUA.

Ricardo Rocha – Ricardo Roberto Barreto da Rocha, zagueiro, nasceu em 11 de setembro de 1962, no Recife. Começou a carreira futebolística nas peladas do bairro de San Martin. Depois foi para o juvenil do Santo Amaro, do Recife, passando pouco tempo, até ir para o Santa Cruz em 1982. Na negociação, foi trocado por meiões e chuteiras, chegou como lateral-direito, sendo deslocado para zaga pelo técnico Carlos Alberto Silva, que certa vez disse: “Desloquei ele para zaga, pois na zaga ele chegará a seleção, já na lateral, não”. Enquanto esteve no Santa Cruz, foi eleito o melhor zagueiro do Campeonato Pernambucano de 1983 e 1984. Zagueiro extremamente técnico e que usava muito o recurso do “carrinho”, antecipava muito às jogadas, cabeceava muito bem e jogava sempre com muita raça e determinação. Em 1984, foi negociado com Guarani, de Campinas-SP e teve uma carreira de sucesso no futebol jogando em grandes clubes como: São Paulo, Flamengo, Santos, Vasco da Gama, Atlético Mineiro, Real Madri da Espanha e Seleção Brasileira.

O curioso é que o pai de Ricardo Rocha, era o advogado Avertano Rocha, torcedor do Sport Recife e seu irmão Henrique, era juvenil do clube da Ilha do Retiro.

Pedrinho, o melhor lateral-esquerdo da história do Santa Cruz de todos os tempos. Participou da fase de ouro da Cobra Coral na década de 1970.

Pedrinho – Pedro José Nepomuceno Cunha, Lateral-esquerdo e zagueiro, nasceu em 12 de outubro de 1945, no bairro de Realengo, no Rio de Janeiro. Veio do Vasco da Gama em 1974, sendo campeão pernambucano em 1976 (bi supercampeão), 1978 e 1979 (bicampeão). Participou de todas melhores campanhas do Santa Cruz na Série A do Brasileirão: 1975 (4º), 1977 (10º) e 1978 (5º). Foi eleito o melhor lateral-esquerdo do futebol pernambucano em 1976 e tornou-se ídolo da torcida após as belas campanhas no Brasileirão.

Pedrinho era um jogador de muita força, defendia bem nas bolas aéreas, antecipava bem nas jogadas por baixo e apoiava o ataque. Encerrou a carreira na Cobra Coral em 1981, após grave contusão no joelho.

Givanildo que começou como ponta-esquerda, depois tornou-se o volante mais vitorioso do futebol pernambucano de todos os tempos. Não é à toa que vestiu a camisa da Seleção Brasileira.

Givanildo – Givanildo José de Oliveira – Ponta-esquerda até 1971, daí em diante, assumiu a posição de volante. Nasceu em 8 de agosto de 1948, no bairro de Vila Popular, em Olinda. Descoberto pelo publicitário Paulo Duarte, que o viu jogar pelos times amadores do Portela (Jaboatão dos Guararapes) e pelo 10 de Novembro (Olinda) e o trouxe para o Santa Cruz em 1968, ele estava com a idade estourada e não poderia jogar no juvenil. Quase foi emprestado ao Confiança (SE), mas, graças ao técnico Gradim, Givanildo Oliveira foi aproveitado no time principal jogando como ponta-esquerda, estreando em março de 1969, logo sendo penta campeão pernambucano (1969 a 1973), 4º colocado no Brasileirão-Série A, de 1975, e campeão do supercampeonato estadual de 1976, ano em que Givanildo foi convocado para a Seleção Brasileira pelo técnico Oswaldo Brandão, para vencer o Torneio do Bicentenário dos Estados Unidos, deixando Falcão no banco de reservas. Em agosto de 1976, foi para o Corinthians. Givanildo, é unanimidade, considerado o melhor jogador da história do clube e o maior ganhador de títulos do Campeonato Pernambucano pelo clube, foram oito títulos. Jogador de grande habilidade, marcador ferrenho, detentor de passes precisos e de grande movimentação em campo.

No segundo semestre de 1977, Givanildo deixa o ”timão” e volta para o Santa Cruz, onde estreia em agosto. Foi bicampeão do Campeonato Pernambucano de 1978 e 1979, além de fazer uma grande campanha no Brasileirão- Série A de 1978, onde o Santa Cruz terminou na 5ª colocação. Vestiu a camisa da Cobra Coral durante 599 jogos. Em 1980, foi negociado com o Fluminense.

Zé do Carmo, foi jogador da base e ídolo da torcida coral. Guerreiro, raçudo e muita garra, não é  à toa que ele foi quatro vezes campeão pernambucano pelo Santa Cruz e campeão brasileiro pelo Vasco da Gama em 1988.

Zé do Carmo – José do Carmo Silva Filho, volante, nasceu em 22 de agosto de 1961, no Recife. O prata-da-casa, começou no Santa Cruz em 1979, ficando até 1988, quando foi para o Vasco da Gama. Neste período, foi três vezes campeão do Campeonato Pernambucano: 1983, 1986 e 1987 (bicampeão).

Em 1993, estava na Acadêmica de Coimbra (Portugal), quando retornou ao Santa Cruz para ser campeão do Campeonato Pernambucano de 1995. Zé do Carmo era um marcador implacável e de passes certeiros, jogador de muita raça. Jogou no Santa Cruz durante 12 anos. Em 1997, foi negociado com CRB-AL. Zé do Carmo até hoje é reverenciado pela torcida coral.

O meia Luciano veio do CRB em 1966, para se consagrar no Santa Cruz.

Luciano – Luciano Jorge Veloso, meio-campista, nasceu em 13 de setembro de 1948, em Pesqueira-PE. Começou a jogar profissionalmente no CRB-AL em 1965, no ano seguinte foi contratado pelo Santa Cruz, sendo pentacampeão pernambucano (1969 a 1973). Conhecido pela raça e o chute potente, tornou-se ídolo da torcida coral. É o segundo maior artilheiro da história do clube com 174 gols e participou de 409 jogos. Foi artilheiro do Campeonato Pernambucano de 1973 com 25 gols. Em 1975, foi para o Sport Recife.

 Tará era um atacante tão implacável nas décadas de 1930 e 1940, que se tornou uma lenda do futebol pernambucano.

Tará – Humberto de Azevedo Viana, atacante, nasceu em 29 de agosto de 1914, no bairro de Beberibe, Recife. Começou jogando no clube amador do Mocidade, em seu bairro em 1929. Marcou as décadas de 1930 e 1940 jogando pelo Santa Cruz como um grande artilheiro. Fez parte do elenco que conquistou os primeiros títulos do time coral, sendo cinco vezes campeão do Campeonato Pernambucano de 1931, 32, 33 (tricampeão), 35 e 40. Tará, foi o primeiro jogador a conseguir ser artilheiro três vezes no Campeonato Pernambucano: 1938, com 25 gols; 1940, 20 gols e em 1945, jogando pelo Náutico Capibaribe, marcou 28 gols. É o maior artilheiro da história do Santa Cruz, com 207 gols. Tará, era policial militar, e chegou ao posto de coronel. A tribuna de honra do Campo do Derby leva o seu nome. Faleceu em 7 de setembro de 2000, aos 86 anos.

Nunes chegou de Sergipe para ser o terror das zagas adversárias. A torcida coral o chamava de Cabelo de Fogo. O atacante tricolor era tão bom que acabou na Seleção Brasileira em 1978.

Nunes – João Batista Nunes de Oliveira, atacante, nasceu em 25 de maio de 1954, no município de Cedro de São João, Sergipe. Veio do Confiança-SE para o Santa Cruz em 1975. Jogador de chute potente, excelente cabeceador, veloz e oportunista. Logo, Nunes conquistou a confiança da torcida coral e o reconhecimento nacional como um grande artilheiro, denominado “Nunes, Cabelo de Fogo”, o artilheiro das grandes decisões. Foi artilheiro do Campeonato Pernambucano de 1977 e destaque no Campeonato Brasileiro – Série A neste ano, onde marcou 14 gols, ficando atrás apenas de Reinaldo, do Atlético Mineiro e Serginho Chulapa, do São Paulo. Foi campeão do Campeonato Pernambucano de 1976 e 1978, neste último, foi convocado para a Seleção Brasileira pelo técnico Claúdio Coutinho, vestindo a camisa de número 20. Realizou 11 jogos e marcou 8 gols. Uma contusão no joelho, o deixou fora da Copa do Mundo na Argentina. Depois de tanto sucesso no Santa Cruz, foi vendido ao Fluminense, juntamente com um outro ídolo coral, Luiz Fumanchu.

Ramón, o consagrado atacante prata-da-casa, fez parte da fase de ouro do Santa Cruz na década de 1970. Foi artilheiro do Brasileirão- Série A de 1973 e penta campeão pernambucano.

Ramón – Ramón da Silva Ramos, atacante, nasceu em 12 de março de 1950, Tracunhaém-PE. Começou a carreira no futebol profissional, no Santa Cruz. Jogador de muita raça e oportunismo, tornou-se grande ídolo da torcida coral. Chegou ao Arruda em 1967, mas só estreou na equipe profissional em maio de 1969. No clube coral, foi pentacampeão do Campeonato Pernambucano (1969, 70, 71, 72 e 73), mas nunca foi artilheiro do campeonato estadual. Todavia, foi o artilheiro do Campeonato Brasileiro da Série A em 1973, com 21 gols. Com a camisa do Santa Cruz jogou 377 jogos e marcou 148 gols, sendo o 3º maior artilheiro da história do clube tricolor do Arruda.

O goleiro Detinho veio da Bahia para se consagrar no Santa Cruz. Considerado o melhor goleiro do Nordeste na década de 1970.

Detinho- Diodete Pereira Coelho, goleiro, nasceu em 12 de junho de 1946, em Jequié-BA. Veio do Vitória-BA para o Santa Cruz, bancado pelo magnata James Thorp, um apaixonado pelo tricolor do Arruda, em agosto de 1970. Detinho, à época, era considerado o melhor goleiro do Nordeste. No Santa Cruz, não decepcionou e ajudou a conquistar o penta campeonato tricolor, sendo vencedor em 1970/71/72/73. Pelas excelentes defesas, Detinho, era chamado pela torcida coral de “milagreiro”, não foi por acaso que ele foi eleito o melhor goleiro do Campeonato Pernambucano de 1970/71/72. Em 1973, sofreu algumas contusões e perdeu a titularidade para o excelente goleiro Gilberto. Em 1974, a diretoria do Santa Cruz queria dispensar Detinho, mas a torcida coral não permitiu. No entanto, demorou a renovar o contrato do grande ídolo tricolor, que ficou bastante chateado. Injustiçado, e sem espaço na equipe coral, Detinho, foi negociado com o Paysandu, em janeiro de 1975. Mas a torcida coral nunca esqueceu seu grande ídolo. Ele faleceu no Recife, em 12 de setembro de 2001, aos 55 anos.

O lendário Gena, veio do Náutico para brilhar também no Santa Cruz.

Gena – Genival Costa de Barros Lima, lateral-direito, nasceu em 11 de maio de 1943, no Recife. O consagrado jogador do Náutico e do futebol pernambucano, chegou ao Santa Cruz em 1970, para ser tetracampeão do Campeonato Pernambucano (1970,71, 72 e 73) pela equipe coral. Lateral de muita classe e habilidade e leal nas disputas de bola, Gena, recebeu o Troféu Belfort Duarte, prêmio criado pela Confederação Brasileira de Desportos (atual CBF) em 1945, que contempla o jogador que durante sua carreira, nunca foi expulso. Em 1974, Gena, foi negociado com a equipe do Força e Luz-RN. Gena, faleceu no Recife, em 12 de novembro de 2018, aos 75 anos.

Paranhos veio do São Paulo para o Santa Cruz no final da década de 1970, para ser um dos melhores zagueiros da história coral.

ParanhosMarivaldo Paranhos Prado, zagueiro-central, nasceu em 3 de dezembro de 1947, em Maceió-AL. Veio do São Paulo para o Santa Cruz em 1977. Foi bicampeão pernambucano (1978/79), sendo o melhor zagueiro-central do Campeonato Pernambucano de 1978. Teve uma excelente participação nos Campeonatos Brasileiro de 1977 e 1978, quando figurou entre os melhores jogadores em sua posição na disputa pela Bola de Prata da Revista Placar.

Paranhos, era um zagueiro de classe, de muita técnica, valentia e liderança. Após o Brasileirão de 1979, foi negociado com o extinto Colorado-PR.

Levir Culpi, marcou época no tricolor do Arruda em 1975 e 1976, junto com Beliato do Náutico, foram os melhores zagueiros de Pernambuco.

Levir Culpi, zagueiro, nasceu em 28 de fevereiro de 1953 em Curitiba. Veio do Coritiba-PR em 1974, para o Santa Cruz. Fez parte da equipe do Santa Cruz de 1975, que fez sua melhor campanha em Campeonatos Brasileiro da Série A, sendo semifinalista, onde perdeu no Arrudão, para a excelente equipe do Cruzeiro por 3 a 2, ficando  na 4ª colocação. Em 1976, foi campeão pernambucano. Dividiu com Beliato do Náutico, em 1975 e 1976, o título de melhor zagueiro do futebol pernambucano. Em 1977, foi defender o extinto Colorado-PR.

O baixinho Renatinho de 1.57cm, veio da base do Santa Cruz para se tornar o melhor lateral-esquerdo da história do clube, desbancando o lendário Cabral e o voluntarioso Quinho.

Renatinho - Renato Gonçalves de Lima, lateral-esquerdo e meio-campista, nasceu em Serra Talhada-PE, em 14 de setembro de 1991. Começou na base do Santa Cruz, sendo promovido para o profissional em 2011. Jogador de muita velocidade e habilidade jogando também na posição de meio-campista, Renatinho foi eleito duas vezes consecutivas 2011/2012, o melhor lateral-esquerdo do campeonato pernambucano e tricampeão estadual 2011/2012/2013, voltou a ganhar em 2015 e 2016, mas como reserva. Conquistou ainda o Campeonato Brasileiro- Série C em 2013 e a Copa do Nordeste em 2016. Com essa performance, Renatinho desbancou o lendário lateral, Cabral, que havia conquistado o penta campeonato pernambucano do Santa Cruz (1969/70/71/72/73), no entanto, nos anos em que foi titular em 1970/71/72, nunca conseguiu figurar na seleção do campeonato, sendo superado por Altair do Sport em 1970 e Marinho Chagas, do Náutico em 1971/72. Renatinho também superou outro grande lateral, Quinho, que foi campeão pernambucano em 1993 e 1995.

O meia sergipano, Henágio, veio para ser o melhor em 1983 e desmontar os favoritos. 

Henágio – Henágio Figueiredo Santos, meio-campista, nasceu em Aracajú -SE, em 10 de dezembro de 1961, veio da equipe do Sergipe para o Santa Cruz, em 9 de maio de 1983. Foi o principal jogador da equipe coral. Henágio, dentro da área era um tormento para os zagueiros adversários, com toques e dribles rápidos e desconcertantes. Fora da área, armava as jogadas, descobria os espaços vazios com precisão e conduzia o time ao ataque. Tornou-se um jogador genial, craque da equipe e ídolo da torcida coral, levando uma equipe que não era favorita, mas muito aguerrida, mesclada de jogadores experientes, que conquistou o improvável trisupercampeonato pernambucano de 1983. Henágio, foi eleito pela imprensa esportiva do Estado, o craque do ano. Ficou no Santa Cruz até 1985, quando foi jogar no Sport Recife, o maior rival dos corais.

Em sua segunda passagem pelo Santa Cruz em 1992, vindo da Tuna Luso- PA, Henágio, teve uma curta e apagada atuação. No início de 1993, foi jogar no Campinense-PB. No Santa Cruz, participou de 195 jogos e marcou 34 gols. No dia 27 de outubro de 2015, foi encontrado morto dentro de sua residência no bairro do Arruda, no Recife, aos 53 anos. A causa da morte não foi revelada.

O craque capixaba Betinho, não cansou de ganhar títulos em Pernambuco. Em 1978, foi o melhor jogador do Campeonato Pernambucano e levou o Santa Cruz à 5ª posição no Brasileirão Série A.

Betinho – Roberto Fontana Madeira, nasceu em Vitória, capital do Espírito Santo, em 9 de julho de 1947. Veio do Botafogo-RJ para o Santa Cruz em abril de 1971. Foi tricampeão do Campeonato Pernambucano (1971/72/73), em agosto de 1973, foi negociado para o Náutico, sendo campeão pernambucano em 1974, voltou para o Santa Cruz em fevereiro de 1976 e ficou até 1980. Neste período, Betinho conquistou mais três títulos do Campeonato Pernambucano (1976/78/79). Participou da bela campanha do Santa Cruz no Brasileirão da Série A, em 1978, onde ficou na 5ª colocação. Figurou na Seleção do Campeonato Pernambucano, eleito pela crônica esportiva, em (1973/76/78/79). Sendo que em 1978, foi o craque do campeonato.

Durante os oito anos em que Betinho vestiu a camisa coral, o craque capixaba, foi protagonista de alguns fatos importantes que aconteceram no Mundão do Arruda. Em 1972, o Arrudão foi ampliado e Betinho fez o gol do jogo contra a Seleção Brasileira de Novos, no jogo de reinauguração. Em 25 de outubro de 1978, ganhou uma placa no Estádio do Arruda, por marca um “gol de Placa”, durante um jogo contra o Ferroviário do Recife pelo Estadual. O goleiro ferrim chutou a bola para o meio de campo, Betinho matou a bola com o pé direito e chutou com o pé esquerdo, marcando um belo gol. Betinho, é o único jogador que foi campeão pernambucano pelos três grandes do futebol pernambucano.

O craque Zequinha era tão bom de bola que foi parar no Palameiras e na Seleção Brasileira.

Zequinha – José Ferreira Franco, meio-campista, nasceu no Recife, em 18 de novembro de 1934, veio do clube alvi-azulino, Auto Esporte do Recife, o clube dos chouferes em 1954. Tornou-se um dos melhores centromédios do Brasil por sua técnica e categoria demonstrado pelo Santa Cruz e pela Seleção Pernambucana, durante o Campeonato de Seleções Estaduais em 1956 e 1957.  Zequinha conquistou o supercampeonato pernambucano de 1957. Grandes clubes tentaram tirá-lo do tricolor do Arruda, como: Vitória Guimarães (Portugal), Grêmio, São Paulo, Portuguesa de Desportos, Fluminense e finalmente o Palmeiras, de Oswaldo Brandão, que veio ao Recife pessoalmente, e contratou o centromédio pernambucano em junho de 1958, que fez um grande sucesso no clube alviverde paulista e na Seleção Brasileira.

Quem pode esquecer do endiabrado Luís Fumachu, que participou das melhores equipes do Santa Cruz em Brasileirões da Série A. Um ponta-direita implacável.

Luís Fumanchu – Jorge Luís da Silva, ponta-direita, nasceu em Castelo, no Espírito Santo, em 14 de novembro de 1952. Em 1975, saiu do Sport Recife e veio para o Santa Cruz para se torna um dos maiores ídolos da torcida tricolor do Arruda. Participou da memorável equipe do Santa Cruz no Brasileirão da Série A de 1975, onde terminou na 4ª colocação. Ainda neste ano, disputou o campeonato pernambucano e foi eleito o melhor ponta-direita do ano, mesmo sem ganhar o título, depois retornou ao Vasco da Gama, o clube que o projetou. No começo de junho de 1977, Fumanchu, retornou ao Santa Cruz, participando das belas campanhas do Brasileirão da Série A de 1977 (10º) e 1978 (5º).

O atacante Grafite chegou em 2015 para consolidar sua fama de ídolo coral. Classificou o Santa Cruz para a elite do Brasileirão, foi campeão Pernambucano e ganhou a Copa do Nordeste. O cara arrebentou.

Grafite – Edinaldo Batista Libânio, atacante, nasceu em Jundiaí-SP em 2 de abril de 1979. Teve quatro passagens pelo Santa Cruz: a primeira foi em 2001, quando veio da Ferroviária de Araraquara-SP, para disputar o Brasileirão da Série A. Apesar da má campanha, Grafite foi destaque da equipe coral, depois foi para o Grêmio. Em 2002, retornou para o Santa Cruz, oriundo do Grêmio, para disputar a Série B do Brasileirão, onde marcou 11 gols em 15 partidas. Depois foi negociado ao Seoul, da Coréia do Sul. No meio do ano de 2015, deixou o Al-Sadd, da Arábia Saudita e veio novamente para o Santa Cruz pela 3ª vez. Disputou a Série B do Brasileirão, onde fez uma excelente campanha, terminando na segunda colocação e classificando-se na elite do Brasileirão. Depois foi campeão do Campeonato Pernambucano e da Copa do Nordeste em 2016, eleito o craque do ano, e disputou o Brasileirão da Série A, começando muito bem a competição, no entanto, o atraso nos salários dos jogadores e funcionários do clube, gerou uma crise que culminou com o rebaixamento da equipe. Grafite, chegou a colaborar no pagamento dos salários dos funcionários do clube, demonstrando todo seu amor ao clube, depois foi para o Athetico-PR. Em agosto de 2017, veio do Athetico-PR, para tentar salvar o Santa Cruz em crise, do rebaixamento. Disputou alguns jogos da Série B, do Brasileirão, mas não evitou o rebaixamento para a Série C. Em 22 de janeiro de 2018, anunciou a sua aposentadoria dos gramados, vestindo a camisa coral.

O prata-da-casa Fernando Santana, foi três vezes artilheiro do Campeonato Pernambucano e penta campeão do Estado. Tornou-se o quinto maior artilheiro da história do Santa Cruz.

Fernando SantanaFernando José de Santana, atacante, nasceu no Recife, no bairro do Poço da Panela, em 25 de dezembro de 1947. Iniciou sua carreira no Santa Cruz em 1966, nas categorias de base. Em 1968, estreou no profissional como ponta-direita, atacante veloz, habilidoso e artilheiro-nato. Transformou-se num grande ídolo da Cobra Coral. Foi pentacampeão pernambucano (1969 a 1973) pelo Santa Cruz, além de ser artilheiro do campeonato três vezes (1969, 1970 e em 1972). É o quinto maior artilheiro da história do Santa Cruz com 123 gols. Figurou na seleção do Campeonato Pernambucano, eleito pela imprensa esportiva de Pernambuco, em 1969/70/71/72.

Por: Jânio Odon/VOZES DA ZONA NORTE.

Fonte: Diário de Pernambuco, Jornal do Commercio/Recife, Revista Placar; Manchete Esportiva, Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, site do Santa Cruz Futebol Clube, Livro: 85 anos de bola rolando, de Givanildo Alves- FPF/Edições Bagaço e Arquivo Pessoal.

 


domingo, 5 de outubro de 2025

UM DOMINGO NO SÍTIO DO CÉU (PORTO DA MADEIRA) EM 1946

Em 1946, os moradores dos morros do Recife, viviam em situação deplorável, não havia saneamento básico, nem escadarias. A água era retirada dos cacimbões ou riachos e transportadas na cabeça ou em galões (foto). As diversões eram movidas quase sempre a base de muita "erva do pau" a tradicional cachaça. Foto: Revista O Cruzeiro/1945.
 

Um artigo me chamou atenção, publicado pelo extinto Jornal Pequeno, do Recife, em 9 de setembro de 1946, sobre a vida cotidiana dos moradores do morro nos momentos festejos de finais de semana, em especial, o Alto do Céu, que oficialmente é uma localidade da zona norte do Recife pertencente ao bairro do Porto da Madeira, mas que muita gente acha que pertence ao bairro do Alto Santa Terezinha, Água Fria ou Beberibe. O Sítio do Céu, deu origem ao Alto do Céu. Veja na íntegra o artigo completo:

O Diabo no Céu- (Dizia o título). A estrada do Porto da Madeira – Beberibe., bifurca-se pela direita e pela esquerda. A esquerda fica São Benedito (descida da atual Rua Dalva de Oliveira) e à direita, subindo, O Sítio do Céu ( ficava na atual Rua Conselheiro Barros Barreto).

No alto, a população é toda de gente humilde, não se enfurna na tristeza. Aos domingos, os que tem saúde caem nesta coisa deliciosíssima – farra. Um violão, um bombo e um reco-reco formam uma orquestra pouco sinfônica, porém, muito pernambucana.

Como há o Sítio Novo, o Sítio do Balsal, há também o Sítio do Céu. O povo dali é divertido, mas não é brigalhão. No “xelelé” domingueiro corre a “herva de pau”. É assim que lá se chama a cachaça, porém barulho nunca houve.

...Aconteceu um deste domingos um fato que arrepiou a população. Aquilo que os moradores, simplificando a coisa, chamam o céu. Virou um verdadeiro inferno, o que deu motivo a esta declaração da minha lavadeira: - Creia o sinhó, como o diabo andou solto no céu!

Não me espantei, porque vi logo que se tratava do sítio e não da abobada azul, da celestial mansão, para onde irão quando morrer, os comerciantes do Recife que não sabem, ou sabem, mas não querem explorar o povo.

Com um pouco mais de detalhe, por parte da preta lavadeira, vim a saber que, no domingo, houve uma festinha na casa de um velho morador do sítio. Era uma reunião familiar, mas, isto não proibia que pessoas sem família tomassem parte no “rela”.

Os convidados de instante a instante, molhavam a guela. Em dado momento, apareceram dois homens bem-vestido e foram entrando na dança. Para que os presentes ficassem certos de que não eram granfinos pediram um pouco de “erva de pau”. Beberam, endireitaram o laço da gravata e soltaram as pernas, nos braços de duas “morenas” que eram no momento, e serão sempre todo orgulho de nossa raça. Mas, não se sabe por que, uma das morenas foi ficando desanimada para o arrasta-pé. O desânimo aumentou e ela resolveu deixar o cavaleiro. Uma vez livre, saiu a dizer qualquer coisa, baixinho, no ouvido das outras morenas. E o fato é que ninguém quis dançar com o cavaleiro.

Este, nota que está sobrando, mas, não lhe convém dar parte de fraco. Toma outra “erva de pau”. Ingerida a droga dirige-se a orquestra e pede para o maestro que era o que tocava bombo, tocar a marcha: “Sai cartola”. O maestro não atende. O cavaleiro pede outra vez, insiste no pedido e, por fim, chega à conclusão de que não pode dançar.

Então, só lhe ocorreu, no momento, fazer uma coisa. E fez. Aproximou-se do bombo e varou-o com um murro. Fechou-se o tempo. Pela primeira vez teve barulho no Céu. Houve caras e pernas quebradas.

Por isso, é que se diz lá na Água Fria, onde moro, que o diabo andou solto no céu. No Sítio do Céu, bem entendido.

Por: Jânio Odon/ VOZES DA ZONA NORTE

Fonte: Jornal Pequeno (Recife)

sábado, 8 de março de 2025

No início do século XX, pais protestaram contra a falta de escolas em Caixa D'Água e Caenga

 

No início do século XX, as escolas na região de Beberibe, eram poucas e precárias. Foto: Ilustrativa.

Este Blog procura sempre retratar os fatos importantes ocorridos principalmente na Zona Norte do Recife e de Olinda em tempos passados, para que o leitor tenha uma noção exata das dificuldades enfrentadas pelos nossos antepassados desta região periférica da cidade.

Encontrei nas páginas antigas do extinto jornal recifense “A Provincia”, de 20 de junho de 1923, a publicação de uma carta feita por pais de alunos da então povoação de Caixa D’Água, para chamar a atenção do diretor da Instrução Pública do Recife, sobre a falta de escolas e professoras próximo a povoação. Nesta época, Caixa D’Água era um pequeno povoado pertencente ao distrito de Beberibe, do município do Recife. A carta dizia o seguinte:

As escolas de Beberibe- (dizia o título) – Senhor diretor de “A Provincia”. Pedimos a V. Sª o obséquio da publicação desta.

É lamentável que o ilustrado diretor da Instrução Pública, atenda ao bem-estar das cinco professoras que foram nomeadas para Beberibe, com manifesto prejuízo dos alunos que moram distantes do povoado (referindo-se a Beberibe) e de Porto da Madeira, ponto onde as ditas professoras residem por terem bondes à porta.

Não há muito tempo tínhamos uma escola no Caenga, que muito servia às alunas que residiam em Caixa D’Água. Essa escola desapareceu para se localizar no povoado, junto à parada dos bondes, muito embora se reunisse duas em uma só casa, um pardieiro, sem ar, sem luz, estreito e sem acomodações, tanto que, uma das professoras dá aula pela manhã e a outra à tarde, e deste modo converteram o insalubre casebre em núcleo escolar, com o consentimento reprovável dos senhores da Instrução Pública Estadual!

O nosso fim escrevendo-vos esta é para chamar a atenção do digno diretor da Instrução Pública para o caso, lembrando-lhe a conveniência de ser localizada uma dessas escolas em Caenga ou em Caixa D’Água e outra perto da estrada do Cumbe e Acampamento.

Assim distribuídas, os nossos filhos residentes distante do povoado e de Porto da Madeira poderão frequentar as aulas; ao contrário disto, as ditas professoras apenas farão jus ao ordenado, sem prestarem auxílio a quem precisa de instrução.

Esperamos que o ilustrado dr. da Instrução Pública do Estado atenderá nosso pedido, que é justíssimo. – Pais de família – Recife, 19 de junho de 1923. (Finalizou).

*Pardieiro – prédio velho ou arruinado.

*Instrução Pública Estadual – É o mesmo que Secretaria de Educação do Estado.

* Caixa D’Água – Atualmente é um bairro pertencente ao município de Olinda.

*Cumbe – Era um pequeno povoado que existia próximo a estrada de mesmo nome, atual Avenida Hildebrando de Vasconcelos, no bairro recifense de Dois Unidos.

*Acampamento – Povoação às margens da antiga estrada do Acampamento, estrada esta, que começava no Córrego do Tiro, atual professor José Amarino dos Reis e terminava um pouco antes da Estrada do Cumbe, atual Avenida Hildebrando de Vasconcelos. O Acampamento deu lugar a extensa rua Uriel de Holanda, no bairro recifense de Linha do Tiro. Os nomes Linha do Tiro e Acampamento, surgiram porque no final do século XIX e início do século XX, o exército vinha fazer instrução de tiro nesta região e armavam seus acampamentos no local.

Por: Jânio Odon/VOZES DA ZONA NORTE

Fonte: Jornal A Provincia e arquivo pessoal.


terça-feira, 4 de março de 2025

Fraude na eleição para vereadores da Vila de Olinda em 1844

 

Em 1844, os votos do povoado de Beberibe na eleição para vereadores da Câmara de Olinda, foram anulados, no vergonhoso pleito eleitoral. Foto: Acervo de Antônio Oliveira.

Não é de hoje que as manobras políticas acontecem, as fraudes e corrupções nas eleições sempre existiram, como este episódio que aconteceu na eleição para vereadores à Câmara Provincial de Olinda em 1844, na época do Brasil-Império, do recente imperador D. Pedro II, que começou a governar o Brasil em 1840. Era da escravidão africana. O Presidente da Província de Pernambuco era Tomás Xavier Garcia de Almeida, que governou a Província de Pernambuco, num ano em que tivemos cinco governadores em virtude da Revolução Praeira, onde a briga política entre os membros do Partido Liberal e do Partido Conservador era intensa. Diante de um cenário político turbulento, ações fraudulentas como a que aconteceram em Olinda, demonstra o quanto era crítico e desafiador a situação da administração pública.  O Diário de Pernambuco em 17 de dezembro de 1844, onde votaram mais eleitores do que havia nas atas eleitorais. Um escândalo de imoralidade denunciado pelo jornal da seguinte forma:

Apuração da eleição de vereadores para a Câmara de Olinda – (Dizia o título) – Apresentaram-se por fim as atas da eleição de vereadores da cidade de Olinda. O resultado é o mais espantoso que se pode imaginar; saíram os eleitos com 5.800 votos. A Freguesia de São Pedro Mártir* que, pela lista feita pelo Juiz de Paz, tinha 514 votantes, como se publicou pela imprensa, deu 1.604 votos. A Sé que com Beberibe tinha 630 votantes pela lista publicada pelo Juiz de Paz. Ofereceu um contingente de 4.265 listas, para o triunfo celebrado; declarando-se na ata da eleição que 3.200 listas eram de reclamantes na ocasião.

Deve-se notar que não entra em conta as listas da capela de Beberibe que ficaram inutilizadas, porque em lugar de terem sido apuradas na mesma capela foram remetidas à Câmara; e que da cidade muita gente não votou, por não ter garantias da realidade de seus votos, com as mesas, que se formaram para vencer a eleição por fás ou por nefas.

A gravura de Ângelo Agostini, revela que no calor da eleição a lista de eleitores fantasmas se multiplicaram.

Tendo dado a cidade de Olinda, 5.869 votantes, não sendo exagerado calcular por cada votante, cinco pessoas, terá a praia, cujos chefes em Olinda venceram a eleição, entre pais de famílias, filhos, aderentes, mulheres, e gente de pé no chão, e escravos. 30 mil correligionários. Dê-se um terço para o partido vencido, e teremos em Olinda uma população de 40 mil almas.

Assim cresceu a população até da decrépita cidade de Olinda com fecunda polícia do sr. Antônio Afonso. Agora digam estes trampolineiros que não tem pejo de contrariarem a qualificação feita pelos seus Juízes de Paz, e publicada na imprensa por eles mesmos, que não se correm de apresentar um número de reclamantes fictícios que contêm umas poucas de vezes essas listas, o que querem deles suponha o público! Aí não há somente descaramento para vencer uma eleição com falsificações desta natureza; os seus precedentes dão mais que esperar. A municipalidade de Olinda, único patrimônio de certos espertalhões, breve tocará à inanição. (Finalizou).

Fás = de forma lícita.

Nefas = de forma ilícita.

Pejo = vergonha

Inanição = perda de peso, fome crônica.

Decrépita = que tem muita idade, muito velha.

Juiz de Paz = resolve conflitos de menor potencial ofensivo, não tem o mesmo poder de um juiz de direito. Sua função é realizar casamentos; presidir mesas de votação; fiscalizar execuções de obras; realizar prisões e julgamentos de pequenos crimes; preside juízos conciliadores e arrolamentos.

Freguesia = no Brasil- Império era uma unidade administrativa menor. Era um lugar onde se formou uma pequena população ou um pequeno número de habitantes.

Freguesia de São Pedro Mártir = era a mais antiga do bispado de Pernambuco, criada pela Lei Provincial Nº 44, de 12 de junho de 1837, fazendo parte do 2º Circulo Eleitoral da Província, limitava se pelo norte com a Sé, pelas ruas do Carmo, Bomfim, Beco das Cortesias, bicas dos Quatro Cantos, em linha reta até chegar ao rio Beberibe, e a parte dos Arrombados (localidade entre os atuais bairros do Varadouro e Salgadinho) pertencente a da Sé; à leste com o oceano Atlântico; ao sul com a de São Frei Pedro Gonçalves do Recife (antigo povoado que ficava entre atuais: Ponte do Limoeiro, Brum e Cais do Apolo), pelo istmo, até o Forte do Buraco; e à oeste com o rio Beberibe até o Varadouro, seguindo dali pelo caminho de Santa Tereza à beira do mesmo rio, até defronte da passagem de Salgadinho, onde limita com o da Boa Vista. A Lei Provincial Nº 152, de 30 de março de 1846, inciso 5º, ligou o povoado de Beberibe, e o terreno ao sul da estrada do Forno da Cal (trecho atual de Peixinhos e Jardim Brasil), além do Porto da Madeira, à esta freguesia.  

Por: Jânio Odon/VOZES DA ZONA NORTE

Fonte: Diário de Pernambuco e Dicionário Topográfico, Geográfico e Histórico de Pernambuco, 1897.


terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

LIMOEIRO (PE): A princesa do Capibaribe em 1913

 

Rua da Matriz no início do século XX. Foto: Limoeiro antigamente/ Facebook.

Transcorria o ano de 1913, era da república velha, o gaúcho Hermes da Fonseca era o Presidente do Brasil; o nosso governador era Emídio Dantas Barreto. Em Limoeiro, assumia à Prefeitura do município, seu sétimo prefeito – Pedro de Souza Lemos. Ele deu continuidade as obras em execuções de seu antecessor Afonso de Sá e Albuquerque.

As ruas de Limoeiro nesta época, ainda eram desalinhadas, mas vivia um tempo de modernização, apesar da iluminação pública ser à base de querosene, demandando também, para os velhos candeeiros residências. A cadeia pública, acabara de ser inaugurada; o açougue municipal, a igreja de Santo Antônio e o belo palacete da Prefeitura de Limoeiro, considerado naquele momento, o prédio mais belo do interior do Estado, estas obras estavam sendo concluídas.

O algodão era o produto mais importante do município, produto de exportação. A cana de açúcar e a mandioca também eram produzidas, mas pequena escala. Todavia, o seu comercio era bastante competitivo e grandioso. Limoeiro neste ano, teve um surto de varíola e outras variantes.

Limoeiro dos trens, dos bondes e do progresso, segue seu rumo para o futuro que virá com o tempo. O passado, serve para contemplar aqueles que com fé, competência e muito suor, transformaram esta cidade na Princesa do Capibaribe.

Vamos reportar ao ano de 1913, num artigo publicado pelo jornalista José Miranda, do extinto periódico “Almanach de Pernambuco” sobre nosso querido, Limoeiro.

Veja na íntegra o artigo e mergulhe neste passado escrito há 112 anos atrás. O artigo dizia o seguinte:

A cidade de Limoeiro, sede da comarca de mesmo nome, acha-se situada numa bela e vastíssima planície à margem esquerda do rio Capibaribe, na altitude 400 metros acima do nível do mar.

Sua fundação deve-se aos caprichos do padre Ponciano Coelho, um dos encarregados nesta zona da catequese dos índios, em começo do século XVII, que por mais de uma vez, trouxera ocultamente da fazenda Poço do Pau, propriedade de um velho português, a imagem de Nossa Senhora da Apresentação, e colocando-a num velho tronco de limoeiro, onde se acha hoje edificado o templo de sua invocação, mostrava-se admirado e proclamava aos circunvizinhos os efeitos de um milagre, até que foi satisfeito, e em pouco o seu maior anseio  que era a povoação desta parte feiticeira da terra pernambucana, ia realizando-se com as alas de casinhas de taipa e folhas de palmeira, abeirando o rio, que moradores de várias partes, atraídos pelo devotamento religioso, vinham pressurosamente se chegando, e edificavam.

E assim, vem a cidade de Limoeiro, progredindo sempre, com um futuro risonho a acenar-lhe, pois, assoladas estas zonas por secas contínuas, devido à natureza acatingada das terras e a grande e criminosa devastação das matas, ela aparece-nos rica e desenvolvida, com um comercio enorme como talvez sem igual no interior do Estado.

O seu clima é um dos mais salubres, tanto que a sanidade pública um pouco descuidada pelos seus governos, Limoeiro atravessa as épocas mais infecciosas do ano sem contar um caso de varíola ou febres de contágio, é bafejada por brisas gélidas e constantes, apesar de seu ar quente e agradável.

A cidade, se bem que não tenhamos uma certeza real, podemos garantir que é habitada por mais de 10 mil almas, e o município, ao todo, 36 mil, com um número superior a mil casas de tijolo e telha; em ruas e praças, calçadas e iluminadas a querosene.

O município que se limita com terras abrejadas de Glória de Goitá, Bom Jardim, Nazaré e Vitória, cultiva especialmente o algodão, o que é a sua maior fonte de riqueza, aos extremos, cultiva-se a cana e a mandioca, porém em pequena quantidade que não chega para a exportação.

Os bondes de Limoeiro puxados por animais. Foto: Limoeiro das antigas/Facebook.

O seu comercio largamente desenvolvido tem sido, também, a vanguarda do seu progresso e engrandecimento; e ali está, sob a sua iniciativa, a Companhia de bondes, cortando as melhores artérias da cidade com suas linhas de ferro.

A cidade comunica-se diariamente com a Capital do Estado pela estrada de ferro de seu nome. O município tem uma renda anual conforme seu último orçamento de quase 60 contos de réis; sendo um quarto deste rendimento empregado com a instrução pública.

 A cidade, apesar de um pouco mal alinhada em suas ruas e praças, devido ainda  a antiga edificação, o que vai desaparecendo com a evolução que se opera pouco a pouco ao decorrer dos tempos, possui edifícios regulares, como sejam: o açougue municipal, ainda em construção; o templo maçônico Frei Caneca; o mercado Pestana da Silva; o colégio misto estadual; a matriz da Apresentação; o teatro Moreira de Vasconcelos; a igreja de Santo Antônio, em construção; a cadeia pública, elegante e modesto prédio inaugurado a pouco; a estação da Companhia Ferro-Carril; o palacete  do governo municipal, que se acha construindo como, talvez, o primeiro em beleza no interior do Estado.

Mercado Público de Limoeiro. Foto: Arnaldo Newton Pimentel/Facebook.

Tem boas casas comerciais, importadoras e exportadoras; associações diversas como: O Clube Literário Machado de Assis, a Musical Comercial Cesarina e o Centro Literário Coelho Neto. A sua instrução acha-se difundida em doze aulas públicas municipais, duas estaduais, e duas ou três particulares; sem incluir o curso primário, noturno, mantido gratuitamente pela loja maçônica.

A imprensa está representada nos semanários políticos e noticiosos O Democrata, órgão do partido dominante; A Voz do Povo, e O Empata.

Prósperos povoados compõem o município, com feiras aos domingos, dos quais é justiça distinguir Pedra Tapada, Malhadinha, Cedro, Bengalas e Mendes. Na cidade, também existe três vezes na semana rica exposição de gêneros, aos sábados e quartas onde se encontra abundância de frutos, carne seca, queijo do sertão, rapaduras e a melhor farinha, e as quintas-feiras, a de gado, para onde vem compradores de várias partes do Estado.

Por: Jânio Odon/VOZES DA ZONA NORTE

Fonte: Almanach de Pernambuco, anuário de 1913